domingo, 29 de janeiro de 2012

Adriano: O Império em ruínas

Amigos sofredores,


O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez finalmente disse o que todos já haviam percebido: Adriano foi um erro. Perto de completar seu primeiro ano com a camisa alvinegra, seus números são pífios: participou de apenas cinco partidas - todas elas jogando 45 minutos ou menos - e anotou um gol, o da vitória contra o Atlético-MG no Pacaembu pelo Brasileirão. É verdade que o atleta passou grande parte do tempo machucado, mas ele fez muito pouco para um jogador que possui um grande salário e que, apesar da constante desconfiança, mostrou durante a carreira que sabe jogar futebol muito bem.

Adriano Leite Ribeiro nasceu no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1982. Revelado pelo Flamengo, surgiu bem no Torneio Rio-São Paulo de 2000 e logo recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira. Em 2001 foi negociado com a Internazionale e foi rapidamente emprestado para Fiorentina e depois Parma, onde teve ótimas atuações, até retornar para a Inter em 2004, ano marcante na carreira do jogador.

A temporada 2004/2005 de Adriano foi excelente. Teve uma média de 0,81 gol por jogo, foi campeão da Copa da Itália pela Inter e recebeu o seu famoso apelido: O Imperador. Nesse mesmo período, o jogador foi destaque pela seleção brasileira: campeão da Copa América em 2004 e da Copa das Confederações em 2005. Nas duas competições, Adriano foi artilheiro e eleito melhor jogador, fatos que comprovam o seu apelido.

 Adriano comemorando gol na Copa América de 2004

Entretanto, o ano de 2004 não foi de apenas alegrias para o Imperador. No início de agosto, seu pai foi encontrado morto e isso mexeu demais com ele. Foi um fato determinante para que o jogador, no longo prazo, perdesse sua razão e começasse a se envolver nos constantes problemas que vemos hoje em dia. Talvez tenha faltado algum tipo de apoio ao atleta nesse momento, que poderia ter saído mais forte dessa péssima experiência e, com isso, ter seguido sua carreira sempre em alto nível.

De 2006 em diante, ficou clara a decadência do craque. Passou a não jogar mais nada pela Internazionale e foi contemplado, em 2006 e 2007, com o Bidone d'Oro, "prêmio" dado ao pior jogador do Campeonato Italiano. Estava claro que o Imperador passava por problemas e uma solução encontrada foi emprestá-lo novamente, desta vez para o São Paulo, para que ele pudesse ficar mais próximo da família e dos amigos e, quem sabe, encontrar novamente a sua alegria jogando futebol.

A passagem de seis meses pelo Tricolor Paulista foi bem acima do esperado e muitos alimentaram a esperança de que o Imperador havia voltado. Retornou à Inter e foi convocado novamente para a seleção brasileira. Entretanto, em 2009, mais um problema: estando no Brasil, em decorrência de um jogo pela seleção, o atacante simplesmente desapareceu por alguns dias. Não deu notícias à Inter e até sua morte chegou a ser cogitada. Quando reapareceu, alegou problemas pessoais, disse que passou o tempo na Vila Cruzeiro, favela do Rio de Janeiro onde cresceu, e que não queria mais jogar futebol por tempo indeterminado, desligando-se da Internazionale. Ficava cada vez mais claro que Adriano era apenas uma aposta, um jogador pouco confiável e de retorno duvidoso.

Contudo, pouco tempo depois dessas declarações, o atacante acertou seu retorno ao Flamengo para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2009. O fato é que o atacante surpreendeu novamente e jogou muito. Ao lado de Petkovic, o Imperador levou o Mengão ao hexa do brasileiro e parecia ter encontrado novamente o bom futebol. Tanto que, em junho de 2010, a Roma confiou no potencial do atacante e o contratou. Resultado: 9 meses de clube, 350 minutos em campo, nenhum gol e mais um Bidone d'Oro, o terceiro de sua carreira.

Após mais um fracasso, a surpresa estava na quantidade de clubes interessados em contar com seu futebol: Corinthians, Palmeiras, Flamengo e até o Newcastle, da Inglaterra, entre outros. Eu me pergunto se não parecia óbvio que o atacante era muito caro para uma completa incógnita. Enfim, embalado por Ronaldo, que fez excelente meio de campo entre Corinthians e Adriano, o jogador acertou com o Timão em março de 2011, visivelmente fora de forma e com certa desconfiança

Adriano em sua apresentação no Corinthians

O resultado parcial dessa aposta todos sabemos. Adriano chegou contundido, machucou-se novamente durante sua recuperação e ficou muito tempo fora. Entrou em campo 5 vezes, fez apenas um gol e envolveu-se em diversos tipos de problemas: descaso com seu próprio tratamento, falta nos treinos e até tiro de revólver em seu próprio carro. Se nem o jogador quer se ajudar na sua recuperação, como pode um clube confiar que ele vai jogar bem e render frutos para a equipe? O próprio Andrés Sanchez já afirmou que ele não tem mais jeito e que foi um equívoco contratá-lo. 

São muitos problemas e pouco futebol para um atacante que ganha o salário de Adriano. Como se não bastassem esses empecilhos, o Imperador agora tem um concorrente pela vaga no banco de reservas do Corinthians. Que fase, hein Adriano! Elton, que fez boa temporada pelo Vasco no ano passado, já fez gol logo em sua estréia e mostra uma vontade que me faz ter certeza: ele é muito mais confiável que Adriano no caso de uma ausência de Liédson.

Com um contrato que expira em junho, Adriano tem pouquíssimo tempo para entrar em forma, em campo e convencer a diretoria de que pode ter seu vínculo renovado. Caso contrário, ele deverá tentar fazer isso em outro clube. A Fiel, que perdeu a paciência com o jogador, já pede sua cabeça. Infelizmente, tenho cada vez mais certeza de que, em algum lugar do tempo, perdemos um grande craque. O Império está em ruínas.


1 comentários:

Danilo Picucci disse...

Infelizmente esse jogador só joga se estiver feliz, ou seja, quando está perto dos amigos traficantes e bebendo a cervejinha diária em algum lugar....

30 de jan de 2012 12:20:00

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