terça-feira, 6 de março de 2012

Rodrigo Caetano, profissão: Manager

Você sabe o que faz um Manager? Você já ouviu falar em Rodrigo Caetano? Não?

Não se preocupe, pouca gente entende do assunto, os próprios fãs de futebol são de certa forma ignorantes sobre o assunto, com exceção daqueles que conhecem os jogos Championship Manager e o Football Manager. Mas todos, com certeza absoluta, conhecem alguns dos Managers mais famosos, mas não por causa dessa função. Citarei 3 deles: Alex Ferguson, Arsene Wenger e Pep Guardiola, respectivamente Managers de sucesso de Manchester United, Arsenal e Barcelona, função que exercem juntamente com o cargo de Treinador.
Final da Liga dos Campeões da Europa 2011
O Manager tem diversas funções de extrema importância para o clube, por isso são vistos como sendo praticamente o braço direito do presidente dos clubes, podendo ser tão ou até mais importantes que o treinador, ou como nos casos citados acima, o próprio treinador. Entre suas funções incluem-se: gerenciar os preparadores físicos, os médicos e todo os outros integrantes do staff, determinar as tarefas dos olheiros e participam ativamente da seleção de jovens talentos, estudar e estabelecer as cargas de treinamentos necessárias para todas as divisões do clube(time principal, reservas, juniores e etc), comprar e vender jogadores e até preparar os comunicados para a imprensa. Alguns também participam ativamente do departamento de Marketing e do controle das finanças.

No Brasil, o cargo não costuma ser entregue ao Treinador, pois os clubes não gostam de dar tanto poder aos técnicos devido a alta rotatividade existente no Brasil, já que não é comum um treinador ficar mais do que 1 ano no cargo. O único manager-treinador aqui em terras tupiniquins é o Vanderlei Luxemburgo que exige em contrato esse poder.

Atualmente temos um Manager nacional que está conquistando fama sem precedentes, Rodrigo Caetano, um reconhecimento merecido pelo excelente trabalho que vem exercendo desde 2005. Ano em que o Grêmio de Porto Alegre recrutou o aposentado jogador para assumir o desenvolvimento da categoria de base gaúcha e para ajudar o clube a se reerguer após o rebaixamento, a base em 4 anos sob o comando dele conquistou tudo que poderia e revelou inúmero talentos, como Anderson(Manchester United), Carlos Eduardo(Hoffenheim) e Philippe Coutinho*(Internazionale).

Sob a batuta de Mano Menezes e a gestão oculta de Rodrigo Caetano, o Grêmio voltou para a Série A, chegou em 3º no Brasileirão de 2006 e foi até a final da Libertadores de 2007. O time teve uma queda de rendimento após a saída de Mano Menezes, mas se reergueu novamente e em 2008 foi Vice Campeão Brasileiro, sob a batuta de Celso Roth. Logo no início de 2009 houve uma briga política no clube, a presidência mudou de mãos, Celso Roth caiu e Rodrigo Caetano foi junto.

O Vasco, que havia sido rebaixado em 2008, não perdeu tempo e trouxe Rodrigo para ser Diretor de Futebol do clube, ou o Manager. O clube sofreu o famoso choque de gestão sob o comando do jovem Diretor, que além de alterar a estrutura de trabalho do clube, foi capaz de trazer bons jogadores para disputar a Série B. Com esse trabalho bem feito o Vasco foi campeão da Segunda divisão. Em 2010, Rodrigo Caetano manteve o time da Série B, para poder continuar a reestruturação do clube de forma eficiente, foi o suficiente para o Vasco dar o salto que foi visto em 2011.

Competência como nunca antes vista
O trabalho do dirigente é focado principalmente no bem estar do elenco, por ser ex-jogador, sabe como lidar com o dia a dia dos jogadores, motivo pelo qual nunca permitiu atraso de salários, mesmo na época de vacas magras do Vasco e do Grêmio durante a Série B. Ele também crê no fortalecimento das categorias de base do clube, Rodrigo tem a mentalidade catalã do Barcelona, ele acredita que a força de um time deve vir da base, ele fez isso no Grêmio e tentou fazer o mesmo no Vasco, só que a diretoria tinha o péssimo hábito de vender suas revelações cedo demais. O que o irritou ao final de 2011.

Sem dúvidas, o ano de 2011 foi o ano em que a competência de Rodrigo Caetano ficou nítida, em seu 3º ano de gestão ele estava pronto para mostrar resultados, e mostrou! O Vasco fez uma campanha histórica, chegou a final do Carioca, foi campeão da Copa do Brasil, chegou na semi-final da Sul-Americana e lutou até a última rodada com o Corinthians pelo título do Brasileirão.
Principal foco do trabalho de Rodrigo, a utilização de jovens da base foi nítida, sendo que 2 se firmaram titulares, Allan e Rômulo, e alguns outros tiveram oportunidades e fazem parte do elenco de 2012.
O ano também serviu para erguer ídolos, sendo o maior e atual o zagueiro Dedé, atual premiado melhor zagueiro em atividade no Brasil, e contratação adivinhem de quem? Sim, Rodrigo Caetano, que o trouxe em 2009.

No início de 2012, o Manager rescindiu contrato com o Vasco, pois a diretoria não concordou com sua decisão sobre os investimentos necessários para a atual temporada, principalmente na Base do clube, que ainda tem infraestrutura precária. Em menos de 1 mês o Fluminense não perdeu tempo e levou o mais competente Diretor de Futebol brasileiro para ser seu novo funcionário, oferecendo-lhe um gordo salário e uma liberdade administrativa há muito desejada por Rodrigo, além dos investimentos polpudos da Unimed.

Agora nos resta aguardar para ver como será comandado o futebol do time carioca, que já começou o ano bem e conquistou a Taça Guanabara, diga-se de passagem, em cima de seu antigo empregador.


* Correção: Coutinho foi revelado na base do Vasco, também pelo Rodrigo Caetano!


4 comentários:

RodrigoR disse...

Acho que todo técnico deveria ser manager, mas é bem verdade que aqui no Brasil poucos clubes e treinadores tem competência para fazer um trabalho como este.

Na europa, Pep e Wenger "olham" bastante para os jogadores da base, já por aqui os jovens valores se perdem por ai, envolvidos muito cedos em transações muitas das vezes para países de fraca expressão no mundo do futebol, ou se perder dentro do próprio clube qua não lhe da oportunidade.

Um trabalho assim exige preparação e planejamento, tanto do clube quanto do técnico, por isso ver um trabalho assim por aqui é difícil.

Parabéns pelo site.
Abraço

12 de mar de 2012 12:19:00
Danilo Picucci disse...

Se as torcidas compreendessem que o problema nem sempre é do técnico, e sim da estrutura que o clube oferece para o treinador trabalhar....a pressão diminuiria e permitiria trabalhos de longo prazo.

A Base é essencial, os clubes precisam enxergar isso!

Obrigado pela visita Rodrigo!
Volte sempre!

13 de mar de 2012 01:07:00
Heitor disse...

Gostei muito da sua matéria, só tem um detalhe, o Philippe Coutinho, não saiu das categorias de base do Grêmio, e sim do Vasco.

Os outros dois sim foram revelados pelo Rodrigo Caetano no Grêmio.

Grande abraço!

13 de mar de 2012 15:17:00
Danilo Picucci disse...

Você tem razão Heitor!
A informação do Coutinho era pra ter entrado mais para frente no texto, acabei me equivocando...

Já adicionei um adendo ali corrigindo!

Valeu pelo apoio e continue visitando!
Abraços

13 de mar de 2012 15:50:00

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